Navio foco de hantavírus dirige-se à Espanha, enquanto evacuados chegam à Europa
O cruzeiro afetado por um surto de hantavírus chegará à ilha canária de Tenerife "dentro de três dias" e a evacuação dos passageiros começará a partir de 11 de maio, informou nesta quarta-feira (6) o governo da Espanha.
O futuro do navio MV Hondius, de bandeira holandesa, provocou alarme internacional após a morte de três pessoas que estiveram a bordo, e sua iminente chegada às Ilhas Canárias, vindo de Cabo Verde, ocorre apesar da oposição do governo regional do arquipélago do Atlântico.
A ministra da Saúde espanhola, Mónica García, declarou em uma coletiva de imprensa em Madri que o navio chegará a Granadilla, em Tenerife.
O passageiro Ruhi Cenet, um blogueiro turco de 35 anos, contou que o que começou como uma viagem idílica virou um caos quando o capitão do navio anunciou, em 12 de abril, a morte de um passageiro.
"Nem sequer consideraram a possibilidade de que fosse uma doença tão contagiosa." "Não levaram o problema suficientemente a sério", relatou Cenet à AFP.
A Organização Mundial da Saúde afirmou que evacuou do navio três pessoas: dois tripulantes doentes e uma pessoa que esteve em contato com um dos casos confirmados. Enquanto isso, o cruzeiro seguiu em direção às Canárias.
Anteriormente, dois aviões decolaram de Cabo Verde com destino aos Países Baixos.
Um deles, com dois ex-passageiros do cruzeiro, aterrissou em Amsterdã nesta quarta-feira às 17h47 GMT (14h47 de Brasília), constatou a AFP.
Os serviços de emergência da Alemanha indicaram que recolheram um dos evacuados e o transferiram para um hospital de Düsseldorf.
Por sua vez, uma especialista da OMS afirmou à AFP que o primeiro caso de hantavírus detectado no cruzeiro MV Hondius não pode ter ocorrido a bordo nem durante uma escala, já que o período de incubação indica um contágio anterior à partida de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril.
- Contágio antes do embarque -
Anais Lagand, especialista em febres hemorrágicas virais da OMS, afirmou que o período de incubação do hantavírus varia entre uma e seis semanas, razão pela qual o primeiro caso "claramente teve exposição antes de embarcar", e que isso esteve "sem dúvida ligado a um roedor".
O Ministério da Saúde da Argentina anunciou que enviará especialistas à cidade patagônica de Ushuaia para analisar a possível presença do vírus nessa região.
O hantavírus, transmitido por roedores infectados, normalmente por meio da urina, das fezes e da saliva, preocupa a população após a morte de três pessoas. Uma das mortes foi causada por hantavírus e há suspeitas sobre as outras duas.
Apesar da preocupação com o surto, a situação não é semelhante à do início da pandemia de covid 19, declarou à AFP o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. "O risco para o resto do mundo é baixo", afirmou.
Após a chegada do navio às Canárias, todos os estrangeiros, exceto os gravemente doentes, serão transferidos de avião para seus países de origem, indicou a ministra espanhola García.
Os 14 espanhóis a bordo do MV Hondius — 13 turistas e um membro da tripulação — serão levados para Madri, onde "permanecerão em quarentena pelo tempo que for necessário", precisou a ministra.
Segundo as autoridades dos Países Baixos, dois especialistas em doenças infecciosas acompanham os passageiros durante o restante da viagem.
Os passageiros começaram a adoecer há um mês. Uma mulher holandesa morreu na África do Sul em 26 de abril após ter deixado o navio devido à morte de seu marido a bordo.
Outras duas pessoas recebem tratamento: uma em Joanesburgo e outra na cidade suíça de Zurique.
- Cepa dos Andes -
Especialistas sanitários estão preocupados com a possibilidade de que o surto se propague, após a notícia de que a mulher holandesa falecida tinha voado com sintomas em um avião comercial da ilha de Santa Helena para Joanesburgo.
As autoridades tentam localizar os ocupantes do voo que, segundo a companhia aérea sul-africana Airlink, transportava 82 passageiros e seis tripulantes.
A Suíça confirmou, ainda, que o passageiro internado em um hospital de Zurique testou positivo para a mesma cepa.
O cruzeiro levava a bordo 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades.
O paciente de Zurique eleva a três o número de casos de hantavírus, juntamente com um dos falecidos e um britânico que está em uma unidade de terapia intensiva em Joanesburgo.
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F.Strobl--NWT