Neues Wiener Tagblatt - Brasil e Argentina enfrentam crise diplomática após 'agressões' de Milei a Lula

Brasil e Argentina enfrentam crise diplomática após 'agressões' de Milei a Lula
Brasil e Argentina enfrentam crise diplomática após 'agressões' de Milei a Lula / foto: Evaristo Sa, Luis ROBAYO - AFP

Brasil e Argentina enfrentam crise diplomática após 'agressões' de Milei a Lula

Em uma crise diplomática vertiginosa, o Itamaraty convocou, neste domingo (26), o embaixador da Argentina no Brasil para lhe transmitir sua "repulsa" e lhe pedir explicações sobre as "agressões" do mandatário argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades brasileiras, segundo comunicado oficial.

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Brasília já tinha chamado para consultas seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, pelas declarações feitas na véspera por Milei durante a convenção do Partido Liberal (PL), em São Paulo, na qual foi oficializada a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) às eleições presidenciais de outubro.

Sem nomeá-los, Milei se referiu ao presidente Lula como "presidiário" e "ladrão" e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes como "lixo careca".

Depois desta primeira medida do governo brasileiro, que costuma ser tomada frente a problemas bilaterais com outro Estado, Milei dobrou a aposta e acusou, neste domingo, o "governo do Brasil" de ter financiado uma suposta "campanha anti-argentina", sem apresentar provas.

Brasília reagiu novamente com a convocação do embaixador argentino, Daniel Raimondi, para "transmitir a repulsa do Governo brasileiro aos impropérios" de Milei durante o evento na véspera em São Paulo e "cobrar explicações sobre o comportamento do mandatário argentino".

Segundo o comunicado oficial, "não há precedentes" de um "episódio infamante" como este, no qual "um presidente estrangeiro, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado" e outras instituições democráticas.

- "Risco Lula" -

Figura da direita latino-americana, Milei advertiu no evento no sábado, ao lado de seu aliado, Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), para "o risco Lula" nas eleições e pediu para o Brasil sair de "sua submissão ao esquerdista".

Neste domingo, Milei voltou a se referir ao Brasil, país vizinho e principal parceiro comercial da Argentina.

"Quem pôs mais dinheiro nesta campanha anti-argentina... O governo do Brasil. Vinte e cinco por cento dos recursos saíram do governo do Brasil", afirmou Milei à rádio local Mitre, em uma aparente alusão às criticas contra seu país nas redes sociais durante a Copa do Mundo de futebol.

Milei assegurou que a "campanha" também foi "financiada" por outras "cabeças progressistas" do México e do Partido Democrata dos Estados Unidos.

"E depois vêm me falar de interferência", disse o presidente argentino, que sustentou que "um grupo de brasileiros mandado por Lula (...) jogaram ativamente" contra ele durante a campanha que o levou à Presidência em 2023.

Lula disse, neste domingo, em um ato com sindicalistas, que continuará governando "sem ingerência de ninguém" porque "aqui no Brasil a gente não aceita que ninguém meta o nariz onde não é chamado", sem entrar em detalhes.

Desde 2025, o presidente Lula mantém uma relação marcada por altos e baixos com o governo de seu par americano, Donald Trump, aliado da família Bolsonaro e de Milei.

Washington impôs tarifas e sanções contra o Brasil, interpretados pelo governo brasileiro como tentativas de interferência política.

- "Referência desrespeitosa" -

Sem nomear o ministro Alexandre de Moraes, Milei também disse no sábado, em São Paulo, que o "lixo careca" o impediu de visitar seu "amigo preso injustamente" Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado em 2022.

Considerado inimigo do bolsonarismo, Moraes tinha negado a Milei permissão para visitar Bolsonaro em sua prisão domiciliar em Brasília.

 

Lula tem uma relação fria com Milei desde que este assumiu, em 2023, a Presidência da Argentina.

Embora os dois tenham se cruzado em eventos multilaterais, eles nunca tiveram uma reunião bilateral.

Em sua última viagem à Argentina, em 2025, Lula visitou a ex-presidente e atual opositora Cristina Fernández de Kirchner, em prisão domiciliar por corrupção.

S.Karner--NWT