Merz promete seguir governando pelo 'futuro democrático' da Alemanha
O pressionado chanceler conservador alemão, Friedrich Merz, prometeu nesta segunda-feira (21) que continuará governando em coalizão pelo bem do "futuro democrático" do país, após derrotas esmagadoras em duas eleições regionais que alimentaram especulações sobre quanto tempo ele ainda permanecerá no cargo.
O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou outra vitória no domingo (20) no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, onde a União Democrata-Cristã (CDU) obteve apenas 4,9% dos votos, abaixo da barreira de 5% necessária para permanecer no Parlamento regional e seu pior resultado desde a fundação da legenda em 1945.
O principal candidato da AfD no estado, Leif-Erik Holm, previu nesta segunda-feira que "o chanceler não chegará ao fim do ano".
- "O ocaso do chanceler" -
"Acredito que o ocaso do chanceler começou", acrescentou Holm.
Porém, Merz, 70 anos, não tem a intenção de renunciar como chefe de Governo da maior economia europeia. Ele está à frente de uma coalizão com o SPD de centro-esquerda.
"Estamos determinados a assumir as responsabilidades históricas que nosso país enfrenta. Isso significa nada mais nada menos que o futuro democrático da Alemanha", declarou Merz à imprensa.
O chanceler, no entanto, está cercado não apenas pela extrema direita, mas também pelo partido de esquerda radical Die Linke, que derrotou a CDU em Berlim, onde a AfD também registrou um avanço considerável.
As notícias ruins chegaram em um momento de grande desgaste político devido à vitória da AfD no estado da Saxônia-Anhalt em 6 de setembro.
Merz não acredita que sua baixa popularidade explique as derrotas eleitorais. "As razões destes resultados eleitorais vão muito além da minha própria pessoa", afirmou.
- "Profunda transformação" -
"Estamos observando uma profunda transformação do sistema de partidos políticos na Alemanha, assim como em muitos outros países do mundo", disse.
Em meio a especulações, Merz optou no domingo por discursar à nação, poucos minutos após a divulgação das primeiras pesquisas de boca de urna.
Ele reconheceu que a CDU sofreu um "desastre", mas prometeu permanecer firme, seguir adiante com as reformas e governar com "caráter, firmeza e paciência".
O chanceler também esvaziou a agenda para os próximos dias e cancelou a viagem a Nova York para a Assembleia Geral da ONU.
Quando Merz assumiu o cargo, em maio do ano passado, ele prometeu recuperar uma economia enfraquecida, reconstruir as Forças Armadas para dissuadir a Rússia e reduzir a imigração irregular para aliviar os temores dos eleitores, além de afastá-los da AfD.
Agora, seus índices de aprovação estão próximos de 10%. E isso porque as reformas avançam lentamente.
Dezenas de milhares de trabalhadores da indústria automotiva organizaram protestos em todo o país nesta segunda-feira para pedir proteção após as ondas de cortes nas principais montadoras, como a Volkswagen, e em seus fornecedores.
Além disso, as derrotas eleitorais de domingo podem aumentar a tensão com o SPD, aliado na coalizão de governo.
Os líderes do SPD se comprometeram a permanecer na coalizão, mas deram a entender que desejam reabrir a negociação sobre as reformas sociais e econômicas, acordadas recentemente após meses de disputas com a CDU.
- Mudança de rumo -
"Apoiamos esta coalizão", afirmou o ministro das Finanças, Lars Klingbeil, um dos copresidentes do SPD. Mas "as coisas não podem continuar" como estão, acrescentou.
Merz nega há várias semanas os boatos de que poderia deixar o cargo. Entre seus possíveis sucessores estão Hendrik Wüst, chefe de Governo da região da Renânia do Norte-Vestfália, e Markus Söder, chefe de Governo da região da Baviera e líder da CSU, o partido regional irmão da CDU.
Porém, nenhum aspirante se manifestou abertamente até o momento sobre a disposição de disputar o cargo.
O.Krenn--NWT